Música, literatura, poesia, idéias, arte, batera, percussão e porrada, se precisar!

"Como sabe que sou louca?", indagou Alice.
"Deve ser", disse o gato,
"ou não teria vindo aqui".
(Alice no País das Maravilhas)


sexta-feira, 8 de junho de 2007

Couro de Coturno

Capa: desenho de Yan Kaô e Randus

Dando uma pausa no mundo da percussão, vamos entrar um pouco no mundo dos quadrinhos... Já, já, voltamos com mais bateras e percussionistas prá deleite da galera!!

Nos longínquos anos 80, um fanzine abalou as estruturas da sociedade quadrinística paulistana: trata-se do dito cujo aí em cima, o Couro de Coturno. Foi criado por Orlando e por mim, além de um outro amigo que não sabemos se realmente existiu, o Randus. Havia um quarto elemento que nada contribuiu com o fanzine, além de meter o pau e se acovardar diante das perseguições posteriores e que hoje se arvora de “criador” do mesmo. Na época esse indivíduo apenas queria enfiar goela adentro do gibi suas frustrações profissionais, emocionais e insistiu para que colocássemos a mediocridade de sua criação mais tosca, que falava de “bichinhos elementais” e destoava completamente da proposta com seu traço de mangá que mais pareciam rabiscos de banheiro. A verdade é que esse camarada sequer tem um exemplar do fanzine e se por acaso esta capa aparecer em algum outro blogue para provar o improvável, chequem as datas, senhores, chequem as datas...
"Vou cantar-te nos meus versos" - tirinha de Orlando

Mas deixando de lado esse assunto, que falar de podridão nos faz no mínimo lembrar do cheiro, o Couro de Coturno foi um escândalo de todos os tipos, desde a capa, onde um personagem, um gato chamado “Chaninho”(completamente incorreto, pois fumava, não trabalhava e transava com todas as gatinhas que encontrava) metia o machado no símbolo da Editora Abril. No miolo, histórias estranhas, onde filosofia se cruzava com anarquismo e temas abstratos, algo jamais tentado antes em qualquer fanzine ou gibi comercial. Encerrava com uma charge violentíssima do gato Chaninho, fazendo dupla com ninguém menos que Jesus Cristo. Não preciso dizer que ninguém queria nada conosco, que os exemplares que colocamos à venda foram recolhidos e queimados, que o Randus foi ameaçado de morte e sumiu por mais de dez anos e que nos colocaram em nosso devido lugar...
Chamada para o número 2: "O Massacre dos Móveis", série de espionagem por Yan Kaô

Até hoje tem muita gente que procura o Couro de Coturno. Mais raro que este só o número dois, que teve tiragem reduzida, pois a atenção dos repressores já caía sobre nós e se a coisa andasse como aconteceu com o primeiro, provavelmente não estaríamos aqui hoje. Bem, alguns nem fariam falta mesmo... quem sabe, com a atitude ácrata da Internet o Couro volta a chutar cabeças... quem sabe?

4 comentários:

lyliah virna disse...

Adorei!
Histórias para não esquecermos jamais!
Aranauam
ly

Yan Kaô disse...

Liliah Virna!! gente, essa mulher é MISS BRASIL!!! UMA MISS AQUI, no blogue do doido Yan Kaô!! Honra-me!! Honra-me!!! OHHHH!!! MULHERR!!

Anônimo disse...

PQ O COURO DE COTURNO NÃO VOLTA?

PARAFRASEANDO OS REPLICANTES:

ANARQUIA É UTOPIA FAÇA UMA TODO DIA!

KARATAN

Yan Kaô disse...

Só não volta por motivos técnicos, Karatan... Esse motivos são, editora, tempo e principalmente grana. O fato de tentarem me matar de novo é irrelevante. Todo dia eu mesmo faço isso comendo sal.