Música, literatura, poesia, idéias, arte, batera, percussão e porrada, se precisar!

"Como sabe que sou louca?", indagou Alice.
"Deve ser", disse o gato,
"ou não teria vindo aqui".
(Alice no País das Maravilhas)


sábado, 25 de maio de 2019

ENCARTE LINDAS ESTRADAS - FICHA TÉCNICA, LETRAS E DESCRIÇÃO DAS MÚSICAS - 2019



Ficha técnica: 

Gravado nos estúdios Caipira Urbano - SP. Mixado e Masteriza nos estúdios Oversonic –SJC 

Contatos: Yan Kaô: (12) 98169-2990/ Keli (15) 99117-5038

Arranjos e direção: Yan Kaô

Arte: Karika Dutra. Na Capa, meu filho Mikael e minha Filha Ilana. Na contracapa minha filha Ilana, anos mais tarde.


1)TANGO PARA MAVAMBO (Yan Kaô

Yan Kaô: batás 

A Construção: 

 Anabel Andres: teclados; Zé Márcio: colagens e efeitos; Amorim: viola;

Instrumental

Essa música surge da compreensão histórica das origens africanas do Tango e sua relação com uma divindade Guardiã chamada Maviletango, que é um Exu dos povos Angola/Congo. Uma refelxão sobre a arte musical das pessoas que não te reconhecido seu trabalho e que, mesmo assim, plasmam no ar sua música.

 2) BEIRA MAR (Yan Kaô/Zé Márcio

Yan Kaô: vocais, violões, chocalhos, agogô, bateria podre, atabaques ketu, congas, pandeiro, triângulo, surdão de concerto; 

A Construção: 

Braga: narração preto velho; baixoMaurício Verderame; berimbauDécio Sá Luciana Gama: vocais Zé Márcio: viola; Participação especial do Terno de Congada Chapéu de Fita – Olímpia – SP 

Uma música que surgiu das longas conversas noturnas com meu amigo e parceiro, o violeiro Zé Márcio. Muita psicodelia, vinho e cachaça da boa. Nessa música falamos sobre como um espírito de Preto Velho nos vê de lá prá cá e como nós o vemos de cá prá lá. de manhã, fomos tomar café na padaria e ao voltar, encontramos uma bateria jogada no lixo. Achamos que era um sinal e fizemos a música de prima.

BEIRA MAR

Minha mãe me chamou, foi na beira do mar

Foi na beira do mar...

Foi na beira do mar que Preto Velho caminhou

Prá ver a saudade do outro lado...

Foi na Beira do mar que Mamãe me chamou, Sinhô!

Foi na Beira do Mar...

De Quissamba na cacunda, vou voltar lá prá Arianda... 

3) A FÚRIA DA CHUVA (Yan Kaô/Tato Carvalho) Música incidental: Antônio Nóbrega 

Yan Kaô: Voz, Baterias Roland e acústica; Tambores, Ocean Drum, Pau-de-chuva, Pandeirola, Baixo. 

A Construção: 

Zé Márcio: colagens; André Briuza: guitarras; Tato Carvalho: teclados; Anabel Andres: teclados;

Esta é uma antiga composição que eu e o Tato fizemos quando olhávamos pela janela de meu quarto, através de um grande vidro. Lá fora uma tempestade cobria a cidade e imaginamos como a natureza, se quiser, pode aniquilar toda a civilização. Imaginamos a chuva cumprindo uma função mais interessante: a de lavar as pessoas por dentro. E os índios talvez sejam os mais indicados a não sofrerem com uma chuva desse tipo, pois estão sempre a favor da natureza. Essa composição se tornou uma das mais adoradas pelos fãs do Jardim Elétrico, meu primeiro grupo. Fala também de minha ancestralidade indígena e das profecias do Yvi Mara Hey, a Terra sem Males dos Guarani, um lugar lúdico e paradisíaco chamado o "Céu acima do céu", de onde todos vieram e para onde todos voltarão" AWÊ!!! 

A FÚRIA DA CHUVA

 Haverá um dia em que acordaremos na Terra Sem Mal...
Haverá um dia em que veremos o Novo Céu...
Haverá um dia em que seremos um só povo...

A fúria da chuva vem mostrar o medo da terra, do céu e do mar...
A fúria da chuva ao cair, lavando o suor do nosso país!

E as estrelas se unirão num Novo Sol...
E as lágrimas se encontrarão num Novo Mar...
E os corações se unirão num Novo Céu...

A chuva cobriu as pessoas na rua, esfriando as almas em desespero...
Liberando preconceitos, transmutando sonhos em pesadelos!!

Sou Pataxó, sou Xavante e Cariri,
Ianomami, sou Tupi,
Guarani, sou Carajá...
Sou Pankaruru,Carijó, Tupinajé,
Potiguar, sou Caeté,
Ful-ni-Ô, Tupinambá!

Muitos choraram! Outros gritaram!
Por terem sido flagrados despidos!
Meninos pelados de emoções!

E a chuva limpou o sangue do chão,
a chuva enferrujou os canhões...
pela última vez...


4) REPENSANDO O SAMBA (Yan Kaô) 

Yan Kaô: bateria, violões, agogôs, pandeiros, surdões, repiques, tamborins, cuíca, timbales, chocalhos, triângulo, baixo

A Construção: 

Tio Magrão: guitarras; Píu: teclados;

Instrumental

Um dia pensei no samba. Pensei e repensei. Mas não era samba. Era breque de bamba. Pensei mais um pouco. Saí pra rua com meu Timbal. E deu nisso aí. 

5) OS SONHOS SECRETOS DO HOMEM ETERNO (Yan Kaô) 

Yan Kaô: voz, violão, bateria, clavinhas, triângulo, bumbão de frevo, carrilhão, chocalhos, pau-de-chuva, reco, tambor de língua, claves. 

A Construção: 

Píu: teclados; Paulinho Pereira: baixo; Zé Márcio: violinha;

Essa música faz parte das Suítes Secretas, uma série de cancões progressivas que compus na adolescência, usando a poesia como expressão de sentimentos que talvez a alma tenha quando está em um estado mais puro. Um mundo confuso e obsessivo na primeira parte, a compreensão do nada. Um mundo livre, diáfano e irreal na segunda parte, a observação, sem julgamento, do tudo.

Os sonhos secretos do homem eterno

I

Fontes jorram força;

Estacas prendem asas;

Segundos passam em filas,

Seguidos pelos séculos,

Séculos,

Séculos...

Amém!

No vale, disperso, perco o rumo das rotas;

Meu louco revela portas irreais se abrindo,

Jogando a luz de um novo mundo em mim...

Vejo em arcas, marcas de tempo.

Nas paredes, pensamentos ecoando.

E você dançando uma valsa na sala

Ao som de pianos mortos.

II

Cortou o espírito

O som de sinos

Em tons sinuosos

Frequentes, quebrados

Entre brados de alegria e ódio...

Portfólios e esboços

De sede e fome...

Sentindo somente

A função de ser: esperar ter!

Verter vida e morte

E ver para crer

Nos deuses mortos,

Nos simbolos tortos

Que ainda soltos nas ruas

Arrebentam e queimam casas

E asas de fadas...

Querendo extrair

Do tudo, o nada

E do nada, o sentido:

De serem para sempre

O que sempre...

Sempre...

Sempre...

Quiseram ser...

6) SANGOMA (Yan Kaô) 

Yan Kaô: Vocais, chocalhos, agogô, Marimba, Didjeridoo, Flautas indígenas, Atabaques Ketu, Congas, pandeiro, triângulo, Bumbo de concerto; Taikos, Tímpanos, Gongos chineses, colagens.

Instrumental 

7) SENHE – ao vivo (Estevão Maya Maya e Padinha) 

Yan Kaô: Voz, Bateria

A Construção: 

Américo Freiria: guitarra e vocais; Maurício Verderame: baixo, vocais e timbalitos: Fernando Santos: didjeridoo e timbal; Anabel Andres: vocais, teclados e chocalhos; Zé Márcio: viola, vocais e surdões; 

Uma música tradicional, um cântico de escravos que era cantado pelo meu antigo grupo, o Kangoma. Em 1982, a gravadora Eldorado reunia em seus estúdios três das majestades negras da música popular brasileira: Tia Doca da Portela (pastora da Velha Guarda), Geraldo Filme (o primeiro-nome do samba paulista), e a Rainha Quelé, Clementina de Jesus. O projeto de Aluízio Falcão com direção musical de Marcus Vinícius e percussão de Papete viria a se tornar um dos mais antológicos álbuns da música popular: O canto dos escravos. Tratava-se da primeira gravação de 12 cantos de trabalho (ou vissungos) recolhidos na década de 1930 pelo folclorista mineiro Aires da Mata Machado Filho na região de Diamantina, no Norte de Minas Gerais. O grande maestro Estevão Maya Maya adaptou essa linda canção, que fala do escravo preso em sua cela, pedindo para a Lua (Senhê), que mande o espírito do sacerdote (Mbanda), para que com seu raio de luz entrasse pelas frestas do cativeiro e lhe desse a liberdade.

SENHÊ

Lua da terra distante
Que brilha que nem diamante
Vai acordar o Sol
Prá vir com sua alegria
Furar o buraquinho do dia...

Ai, Senhê...
Ai, Senhê...
Duimbanda, fura Buraquinho, Senhê
Korimbanda, fura buraquinho, Senhê

8) SUOR E SANGUE (Yan Kaô) 

Yan Kaô: Voz, Violões, Bateria, Congas, Bongô, surdo de concerto, Marimba, Chocalhos, Djembê, Claves. 

A Construção: 

Yara Santos e Tatá Oliveira: Vocais; Maurício Verderame: Baixo; Zé Márcio: Viola; Piu: Teclados;

Um dia sonhei que homens e mulheres saiam do mar e vinham falar comigo. Eram pessoas que haviam desembarcado de um navio luminoso. Se diziam meus ancestrais e ancestrais de todo um povo. Estavam estranhamente secos, mas havia suor e sangue em suas roupas. Cada um deles me abraçou e desapareceram na areia. Acordei com essa música na cabeça e imediatamente a gravei com o violão. Ao final da música está a gravação original. Música muito importante para mim, pois aqui cantam minhas filhas Yara Santos e Tatá Oliveira, duas grandes artistas.

SUOR E SANGUE

Nós temos razões

Para crer em nossas promessas...

Nós temos razões para sobreviver...

Sentimos as ondas baterem

Em nossas pernas manchadas

De suor e sangue...

Nós que viemos, deixamos para trás...

Nossos Deuses e nossas crenças, prometemos:

Voltar e abraçar nossa descendência em nossos sonhos... 


9) LINDAS ESTRADAS (Yan Kaô) 

Yan Kaô: voz, violão, baixo, bateria, ntama, chocalhos, derbak, agogô, congas; tambores Dundun, tambores batás. 

A Construção: 

Piu: Teclados, vocais; Júlia Fink: vocais; Zé Márcio: vocais

Participação especial: Micheli Aguiar, vocais de apoio e vocal principal cântico de Ayan 

Lindas Estradas é uma canção que fala da liberdade e da vida. Fala de lembranças e de amigos que deixei quando visitei a África na minha juventude. Hoje eles só existem na memória, mas aqueles momentos são o que mais há de real em muito do que sinto. Ao final da música, um dos maravilhosos cânticos africanos de Ayan - a Divindade Yorubá das artes. 

LINDAS ESTRADAS

Não sou eu quem fala quando abro a boca

É alguma forma louca e enrugada,

Que diz ser sábio:

Calar a voz...

Que diz ser sábio:

Parar a foz...

Causar atrito no átrio santo

Destroçar tantos planos traçados

Pelos mitos esquecidos

Que cumprem pena na prisão dos quadros expostos

Nas salas da solidão...

Os mitos esquecidos

Que cumprem pena na prisão dos quadros expostos

Nas salas da solidão...

Transparente vai correndo

Atrás do vento norte

Sem respeitar fronteiras, porteiras, cancelas...

Cruzava, tênue,

Lindas estradas e matas.


10) HORIZONTE DE EVENTOS (Yan Kaô) 

Yan Kaô: vocais, bateria, timbales, cuíca, cowbels, apitos, queixada, pandeirola.

Horizonte de eventos foi composta para minha esposa Micheli Aguiar quando do falecimento de sua mãe. A música foi uma das ferramentas por mim utilizada para ajudá-la na compreensão do momento. Essa música fecha o disco, fazendo a ponte para o próximo, "Descanso", com composições mais progressivas. 

A Construção: 

Micheli Aguiar: vocais de fundo; Edu Berigo: teclados; Paulo Sosa: baixo. André: Guitarra;


HORIZONTE DE EVENTOS

Seus olhos são a morada

Do relâmpago e da lágrima

Há uma estrada eterna

De infinitos sóis presos na escuridão


Desejo que você não tenha medo da vida

Desejo que você tenha as asas abertas

Os pássaros são todas as folhas

De um árvore

De frutos de fogo


Não há céu sem tempestade

Nem caminho sem aurora

A felicidade é uma estrela calma

Num horizonte de eventos.


11) Cântico de Ayan Agalu 

Yan Kaô: Tambores Bata, Dundum, Ntama. 

Micheli Aguiar: Voz

terça-feira, 20 de julho de 2010

Mahalab no teatro Bella!

O GRANDE LABORATÓRIO DO PSICO-PROG!!! MAHALAB!
Sim, estávamos sem nos falar há cinco anos. Problemas no grupo em que tocamos juntos, o Kangoma (além da nossa personalidade), nos transformaram em dois animais ferozes que não podiam se encontrar sem que um dos dois saísse bem ferido.
Mas o tempo faz das suas: em meus trabalhos solo, por mais que estivessem junto comigo baixistas excelentes, nenhum deles conseguia entender minhas propostas e ter um linque de afinidades musicais como eu conseguia com o Maurício. Entendíamos o som da mesma forma e quando tocávamos, somávamos nossas influências de tal maneira que tudo parecia telepático. Era só nos olharmos que o som já estava pronto, que tudo se encaixava. Tínhamos a mesma escola (da música brasileira e principalmente da música progressiva e do psicodelismo) de influências. E lá, nos primórdios, embora não tivéssemos nos encontrado, participamos das mesmas bandas, em coincidências alucinantes.
Certa noite sonhei que estava num ringue com ele e em vez de boxe, iríamos tocar juntos e resolver nossa antiga pendência. Não sei porque, e nem sei como, mas no dia seguinte, o Maurício me manda um linque com músicas do King Crimson, uma de nossas grandes influências. Respondi como se nada tivesse acontecido e voltamos a nos conversar. Depois de uma troca esfuziante de emails bombásticos de desculpas mútuas, reconhecimento e viadagem, ele me relata que estava sem baterista para seu grupo o Mahalab e pergunta se não conhece nenhum batera para ajudá-lo. Sem pensar - não queria pensar - me ofereci e a mágica voltou.
O Mahalab é um grupo que conta com uma formaçào inusitada - apenas baixo, bateria (e percussão) e voz. Talvez influenciado pelo Kangoma que possuía uma formação semelhante, mas cujas composições são orientadas pela música progressiva, pelo psicodelismo e pelo experimental, além de mensagens positivas nas letras, coisa que faz muita falta hoje em dia. Maurício é um dos melhores e mais criativos baixistas e compositor que já vi e Jamila é dona de uma voz poderosa, que ainda vai ser conhecida por esse mundão de meu Deus. Espero estar a altura...
Não sei no que vai dar, mas está sendo muito bom tocar com eles, uma espécie de releitura musical e de influências que está sendo muito produtiva e positiva prá mim. Vamos ver no que vai dar.
Pela amizade que venceu, prá mim já deu mais do que certo...


Chamando o povo prá cantar!


Maurício endoidando!

Yan Kaô se recusando a tirar o cisco do olho da Jamila.

Momentos de um azul confortável.

A virada mortal!

Confortavelmente anuviada.

O céu é vermelho.

Sim, senhores, eu envelheci!

Maurício Rockstar!

Jamila Maya, por Debret!

Momento de groove absurdo 1.


Momento de groove absurdo 2.


Meu Setup Exterminador do Futuro: metade acústico, metade, eletrônico.

Abertura do Xôu: Jamila de deusa indiana e a viagem começa!
Confira abaixo, alguns vídeos desta apresentação! E nos escreva, elogie, critique e meta o pau! Nós devolvemos com a mesma moeda!





Video dois



Vídeo tres














quinta-feira, 15 de julho de 2010

Nóis no Mahalab!!!


MAHALAB!!!
ESTAMOS DEVIDAMENTE ANEXADOS A ESSA INTERESSANTÍSSIMA BANDA DE PSICO-PROG DE FORMAÇÃO INUSITADA: BAIXO, PERCUTERIA E VOZ.
SÓ!! VIAGEM TOTAL!!
CONFIRAM AMANHÃ, DIA 16 NO TEATRO BELLA: RUA RUI BARBOSA, 399 - BELA VISTA - CENTRO - TEL: 3283-2780

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Yan Kaô e a Contrução - BANZO BRASILEIRO o Blues do Brasil


Yan Kaô e a Contrução no show BANZO BRASILEIRO o Blues do Brasil
Música, cachoeira e contemplação na Serra da Mantiqueira!
O show conta com músicas do Djavan, Roberto Carlos, Angela Rorô e outros bambas… Imperdível!
Yan Kaô é escritor, compositor, baterista, percussionista, violonista, produtor musical e cantor.
Começou sua carreira em bares e bandas de baile e já tocou com vários artistas, entre eles Duda Neves, Dinho Gonçalves, Airto Moreira, Caíto Marcondes.
A Construção é o grupo que o acompanha em sua carreira solo nos shows e nos discos.
"Construção, a palavra de ordem para quem quer um mundo novo. Ser ecletico é natural, ser brasileiro é necessário e ser universal é o caminho."(Yan Kaô)

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Show Ressurreição em São Francisco Xavier - Sp - 31/01/2009

HILÁRIO DE CACHIMBO NOVO:
HIlário Bispo e poeta e um dos maiores amigos meus! Um cara genial, orador inigualável e homem "sui generis" com seu cachimbão, cachimbando o mundo e fazendo amigos!!! É uma homenagem ao bom caráter, coisa rara nos dioturnos!
HILÁRIO DE CACHIMBO NOVO
(Yan Kaô)

Hilário de cachimbo novo...
Hilário agora é doutor...

Hilário agora vai fazer o que sempre quis...
Seus irmãos do mundo todo vão cantar...
Respirar a fumaça colorida...
Invadir as avenidas prá dançar...

Hilário, seu cachimbo espalha amor!!




MEDO DA VERDADE:
Uma história verídica que presenciei na minha infância: conta a história de alguns vizinhos, um homem que foi traído por sua esposa e executado pelo melhor amigo que era da polícia. Hoje os dois são muito felizes em sua casa na praia.

MEDO DA VERDADE
(Yan Kaô)

Desceu correndo do morro, sentindo o pavor...
Muita dor nas feridas, as mãoes de encontro ao chumbo nas pernas...
Um filete de sangue unia sua alma com a risada do agressor:
Seu melhor amigo.

O capitão da polícia que agora o caça como um animal!

Medo da verdade!

A mulher que ele amava cuspiu na sua cara, dizendo assim:

"Policial é mais homem, não bebe, não treme, não sabe perder..."

"Olha bem pro seu filho e vê se entende o que quero dizer!"

E foi faca zunindo, vizinho gritando, a polícia chegando, chegando prá ver...
E foi sangue jorrando,o peito apertando, o amigo atirando, cumprindo o dever

Medo da verdade!!

Medo do sexo, medo do nexo...
Medo do medo de vir a crescer...
Medo do saco, medodo sapo...
Medo do fillho que não vai nascer...
Medo da guerra, medo da fera...
Medo do dia em que vai morrer...
Medo da pemba, medo da menga
Medo do dia em que vai perder...

Medo...

Medo...

Medo da verdade!

Olha pro céu, faz a prece...
Não se apresse ao se despedir...
Grita, chora, se torce de ódio...
Mais pela traição,
Que pela bala no coração.




OS TROVÕES SUBTERRÂNEOS:
Esta música foi composta num período estranho de minha vida, onde tudo, pessoas e cachorros, paralelepípedos e corações pareciam ser feitos de concreto. Fala de fumaça e calor, ódio e profundidade e mais do que tudo, de desabafo. Meio Rap, meio João Bosqueana, diz o que é: o óbvio a muitos graus.
OS TROVÕES SUBTERRÂNEOS
(Yan Kaô)

Aqui de cima é um bom lugar par se ouvir:

- Os Trovões Subterrâneos!

Soando distantes nos limites da cidade
Onde se encontram as verdades dos leões
E dos ladrões de vidas...

Os muros falam pelos desesperados
E os viciados em utopias soltam sussurros que são abafados
Pelos Trovões Subterrâneos!!

Predios brotam ao infinito conduzindo granito ao céu
E o véu das garotas das ruas escondem infâncias tristes
Dos Trovões Subterrâneos!!

A neblina se dissipa levando os filhos da noite,
o carbono desce à terra, tirando a cor dos rostos
E nós, mortos, nos modificamos,
Sorrindo alegrias tortas com os rostos ocultos atrás das portas
querendo encontrar:

Os Trovões Subterrâneos!!

Até que alguém grita:

"A resposta está no reflexo das poças, nos espelhos e nos vidros embaçados dos carros...!

Os bichos conhecem os Trovões Subterrâneos!
Os cegos vêem os Trovões Subterrâneos!
Os índios entendem os Trovões Subterrâneos!
As crianças ouvem os Trovões Subterrâneos!

(Por que nós não?)

Eles estão no piso, no liso, nos fatos e lógicas.
Nas jóias pisadas, nas bombas erradas, nas visões e intenções
que explodem no seu peito na hora da raiva!
Que crispam seus dedos, na hora da dor!
Que te escapa da boca, na hora do gol!

Para compreender os ritos é só não conter os gritos de alegria!

Para compreender os mitos é só não conter os gritos de alegria!




BRASIL:

Esta é uma música muito especial para mim, pois depois de muitos anos enconstada (não conseguia pensar numa letra adequada), minha filha Thaís me mostrou um poema que havia composto sobre os países de língua portuguesa. Encaixou como uma luva e viramos parceiros!! Ficou tão legal que o espírito de Carmem Miranda encostou em mim e me disse: "Muito legal esse samba pesadão! Me lembrou os tempos em que eu morria de saudades do Brasil". Comovida, começou a cantar "Adeus batucada" de Sinval Silva e se despediu com um beijo. É claro que depois disso, inclui a canção como música incidental. Espero que gostem!!

BRASIL
(Yan Kaô/Thais Oliveira)

Eu quero ir para Angola de carro,
Vou tirar um sarro quando chegar lá...
Eu quero ir para Cabo Verde de táxi...
Talvez você ache que eu deva ficar...

Mas eu sei que vou voltar...

Eu quero ir para Serra Leoa de trem,
Para o Timor Leste e para Goa também...
Eu quero ir para Macau de camelo...
Vou patinar no gelo da Guiné Bissau...

Mas eu sei que eu vou voltar...

Eu quero ir para Moçambique de ônibus,
Vou ficar atônito lá em Portugal...
Eu quero ir para São Tomé e além!
Vou encontrar alguém que eu possa amar...

Mas eu sei que eu vou voltar para o Brasil!



RESSURREIÇÃO
Esta música é um Candombe, um ritmo da fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai. Aqui foi gravado só o pedacinho final, onde o pau come feroz!




SUOR E SANGUE
Uma vez tive um sonho em que vi várias pessoas saindo do mar, eram antigos escravos, mas eram de todas as cores, não só negros. No sonho me cantaram a letra da música. Quando acordei, só coloquei as notas, e estava praticamente pronta. Destaque no finalzinho pra celebração de bateras e percussão em fúria, com Roberto Lerner, Rafael e Yan Kaô, esse que vos escreve.

SUOR E SANGUE
(Yan Kaô)

Nós temos razões para crer em nossas promessas
Nós temos razões para sobreviver...
Sentimos as ondas baterem em nossas pernas manchadas
De suor e sangue...

Nós que viemos, deixamos para trás
Nossos deuses e nossas crenças, prometemos...
Voltar e abraçar nossa descendência em nossos sonhos...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Ó Nóis Lá!



Programe-se, música e contemplação na Serra da Mantiqueira!

Yan Kaô e a Construção, se apresentam
dia 31 de janeiro
as 21h30 no Photozofia Arte & Cozinha

Yan Kaô é escritor, compositor, baterista, percussionista, violonista, produtor musical e cantor.
Começou sua carreira em bares e bandas de baile e já tocou com vários artistas, entre eles Duda Neves, Dinho Gonçalves, Airto Moreira, Caíto Marcondes, Leni Andrade e Branca de Neve.

A Construção é o grupo que o acompanha em sua carreira solo nos shows e nos discos
e pode ser formado por vários músicos diferentes, dependendo do espetáculo, pois "Construção" é a palavra de ordem
para quem quer um mundo novo.

Atraves das letras e da estetica musical enfoca as questoes sociais,
espirituais, místicas e das paixões humanas.

Ser ecletico é natural, ser brasileiro é necessário e ser universal é o caminho.

reservas e informações: http://www.photozofia.com.br/
http://br.mc1111.mail.yahoo.com/mc/compose?to=photozofia@gmail.com
012 3926 1406
informações turísticas: 012 3926 1833

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Ismália - Alphonsus de Guimarães e Odilon Moraes

Esta semana postamos prá vocês o sensacional Ismália do grande poeta Alphosnus Guimarães e do maravilhoso ilustrador Odilon Moraes!! A poesia de Alphonsus já era perfeita, mas ganhou uma amplitude quase sobrenatural com as ilustrações de Odilon, que deu um tom sombrio ao tema - apesar dele ser basicamente um ilustrador infantil. Interessante é que poeta e ilustrador são semelhantes de rosto...


Odilon Moraes

Nasceu em 1966 e mora em São Paulo, embora tenha passado infância e adolescência no interior. Cursou arquitetura, mas antes de se formar já trabalhava com ilustração de livros: tornou-se ilustrador. Além da ilustração de mais de sessenta livros, é autor de A princesinha medrosa (Companhia das Letrinhas, 2002) e Pedro e Lua (Cosac Naify, 2004), com o qual consquistou o prêmio de melhor livro infantil em 2005 pela FNLIJ.

Na Cosac Naify, Odilon Moraes coordena, junto com Augusto Massi, a coleção Dedinho de Prosa, para a qual já ilustrou O homem que sabia javanês, de Lima Barreto e O presente dos magos, de O. Henry., e Será o Benedito!, de Mário de Andrade.

Alphonsus Guimaraens

Formou-se bacharel em Direito, em 1894, em Ouro Preto. Na época já colaborava nos jornais Diário Mercantil, Comércio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de S. Paulo e A Gazeta. Em 1895 tornou-se promotor de Justiça em Conceição do Serro MG e, a partir de 1906, Juiz em Mariana MG, de onde pouco sairia. Seu primeiro livro de poesia, Dona Mística, 1892/1894, foi publicado em 1899, ano em que também saiu o Setenário das Dores de Nossa Senhora. Câmara Ardente, cujos sonetos atestam o misticismo do poeta. Em 1902 publicou Kiriale, sob o pseudônimo de Alphonsus de Vimaraens. Sua Obra Completa seria publicada em 1960. Manteve contato com Álvaro Viana, Edgar Mata e Eduardo Cerqueira, poetas simbolistas da nova geração mineira, e conheceu Cruz e Souza. Considerado um dos grandes nomes do Simbolismo, e por vezes o mais místico dos poetas brasileiros, Alphonsus de Guimaraens tratou em seus versos de amor, morte e religiosidade. A morte de sua noiva Constança, em 1888, marcou profundamente sua vida e sua obra, cujos versos, melancólicos e musicais, são repletos de anjos, serafins, cores roxas e virgens mortas.

Maravilhem-se com essa obra prima!