
Aê, galera!!!
Com esse negócio de agora cantar e tocar violão, na produção de meu cd solo – Yan Kaô e a Construção, Cantos de Descanso e Trabalho que pode até ser duplo, caramba!! – eu quase me esqueci de que originalmente eu sou um percussionista e que a bateria ainda é minha paixão primordial. E aí, minha gente, não adianta disfarçar, teorizando sobre campo harmônico, tonalismo e o cacete, que o negócio mesmo é reproduzir no couro o tum-tum do coração. Por isso, homenageando o chão da casa, vou postar alguns – tem um monte – de álbuns de bateras aqui no blogue, pra galera curtir e lembrar que é na cozinha que a gente começa a entender mais sobre a vida – da mamadeira à encoxada na namorada, onde habitam os pratos e fogo na mistura, a bateria e a percussão são essenciais para o paladar da boa música... começando, com um dos pais da bateria brasileira: Milton Banana, o cara era uma elegância na mão e no método, obrigatório!!
Milton Banana (que não era Milton, nem Banana, mas Antonio de Sousa) foi o baterista de todos os momentos decisivos da criação da bossa nova. Quando começou como profissional, aos 20 anos, em 1955, em conjuntos da noite de Copacabana, como o de Waldir Calmon, na boate Arpège, e o do grande Djalma Ferreira, na boate Drink, era como se ainda estivesse esquentando os tambores. Mas, no ano seguinte, tocando na boate Plaza com o trio do pianista Luizinho Eça (no qual o contrabaixista era Ed Lincoln), é que as coisas começaram a acontecer. Por causa de Luizinho, ainda mais jovem do que Milton, a pequena boate do Leme começou a receber, na alta madrugada, uma série de rapazes e moças dispostos a dar canjas.
Com esse negócio de agora cantar e tocar violão, na produção de meu cd solo – Yan Kaô e a Construção, Cantos de Descanso e Trabalho que pode até ser duplo, caramba!! – eu quase me esqueci de que originalmente eu sou um percussionista e que a bateria ainda é minha paixão primordial. E aí, minha gente, não adianta disfarçar, teorizando sobre campo harmônico, tonalismo e o cacete, que o negócio mesmo é reproduzir no couro o tum-tum do coração. Por isso, homenageando o chão da casa, vou postar alguns – tem um monte – de álbuns de bateras aqui no blogue, pra galera curtir e lembrar que é na cozinha que a gente começa a entender mais sobre a vida – da mamadeira à encoxada na namorada, onde habitam os pratos e fogo na mistura, a bateria e a percussão são essenciais para o paladar da boa música... começando, com um dos pais da bateria brasileira: Milton Banana, o cara era uma elegância na mão e no método, obrigatório!!
Milton Banana (que não era Milton, nem Banana, mas Antonio de Sousa) foi o baterista de todos os momentos decisivos da criação da bossa nova. Quando começou como profissional, aos 20 anos, em 1955, em conjuntos da noite de Copacabana, como o de Waldir Calmon, na boate Arpège, e o do grande Djalma Ferreira, na boate Drink, era como se ainda estivesse esquentando os tambores. Mas, no ano seguinte, tocando na boate Plaza com o trio do pianista Luizinho Eça (no qual o contrabaixista era Ed Lincoln), é que as coisas começaram a acontecer. Por causa de Luizinho, ainda mais jovem do que Milton, a pequena boate do Leme começou a receber, na alta madrugada, uma série de rapazes e moças dispostos a dar canjas.
Um deles era o quase desconhecido João Gilberto, de volta ao Rio depois de uma longa temporada fora da cidade, para refazer a cabeça. Ali, tarde da noite, quase que apenas entre amigos, cozinhou-se a "batida diferente" da bateria, a partir da nova batida de violão trazida por João Gilberto. Foi este quem sugeriu a Milton a divisão parecida com a do violão, feita com a baqueta no aro, e insistiu para que ele tocasse baixinho, usando mais as escovinhas. Dito assim, pode soar como se, em última análise, João Gilberto tivesse criado também a batida da bateria - mas o fato de ter encontrado em Banana um ouvinte atento e capaz de reproduzir o que o outro queria não impede que Banana tenha também contribuído com idéias próprias. Efetivamente, era ele o baterista no momento do parto da bossa nova.
A prova de que, em janeiro de 1958, ele talvez fosse o único a dominar a batida, está nas faixas "Chega de Saudade" e "Outra Vez", com Elizete Cardoso, para o LP Canção do Amor Demais. Naquela ocasião, o violão de João Gilberto foi gravado pela primeira vez como acompanhante, mas o baterista era Juquinha - e, se o violão de João Gilberto naquelas faixas já era tipicamente bossa nova, a bateria não era. Pode constatar-se isso agora, ao se ouvir o disco relançado em CD pela Movieplay. Mas a bateria de Banana entraria em ação seis meses depois, em julho de 1958, quando João Gilberto o chamou para a gravação do seu próprio 78 RPM de Chega de Saudade na Odeon. Banana estaria nesta faixa e também Desafinado (igualmente gravado como single no fim daquele ano) e nas faixas que completariam o LP Chega de Saudade, gravadas em 1959. A lição básica estava toda ali.
Em meados de 1962, com a bossa nova estabelecida e já tendo formado toda uma geração de cantores, arranjadores, violonistas e bateristas, Banana deixara de ser o único. Mas foi ele o convidado por Tom Jobim para formar (com Otavio Bailly ao contrabaixo) o trio que acompanharia o próprio Tom, João Gilberto e Vinicius de Moraes no histórico show "Encontro", na boate Bon Gourmet - a única vez em que os três se apresentaram juntos, por mais de um mês, e em que foram lançadas canções como Garota de Ipanema, Samba do Avião, Só Danço Samba, O Astronauta e Samba da Bênção. Nesta época, a bossa nova já era um fenômeno internacional, mas as tentativas de reproduzi-la no exterior eram canhestras, por causa da bateria. Os gringos estavam produzindo dezenas de discos oportunistas e suas capas podiam dizer "bossa nova", mas o ritmo era o do velho samba, do cha-cha-cha e até do mambo.
A verdadeira exportação da bossa nova só começou quando seus criadores passaram a viajar e a mostrar in loco como se fazia. Encerrada a temporada no Bon Gourmet, João Gilberto, Baden Powell, Os Cariocas e Milton Banana fizeram uma semana na boate 686, em Buenos Aires, apinhada toda noite de músicos argentinos (entre os quais, Astor Piazzolla).
Em novembro, Banana acompanhou Tom e João Gilberto no famoso concerto do Carnegie Hall, em Nova York. Ficou com eles por lá e foi o baterista do histórico LP Getz/Gilberto, gravado em março de 1963 - e, esta sim foi a maior aula de bateria de bossa nova já dada em todos os tempos, praticamente grátis, para todos os bateristas do mundo. Mas o disco só seria lançado um ano depois e, antes disso, Banana seguiu viagem, com João Gilberto, o pianista João Donato e o contrabaixista Tião Neto, desta vez para a Europa. Tocaram na Itália e na França e expuseram os ouvidos europeus, ao vivo, à nova batida.Nos anos seguintes, de volta ao Rio, Banana poderia ter usufruído o conforto a que os inventores e mestres de seu ofício deveriam ter direito. E, durante algum tempo, isso pareceu possível: de 1965 a 1975, gravou oito deliciosos LPs com seu trio, onde provava que era um baterista para qualquer preço, capaz de fazer até aquela metralhadora mais associada a seu amigo Edison Machado. Mas, então, a música brasileira já seguia outros rumos - todos hostis à bossa nova. Banana lutou enquanto pode e depois se entregou. No começo dos anos 80, teve de resignar-se a tocar para ninguém ouvir, em inferninhos suspeitos de Copacabana.
A década de 80 não foi pródiga de trabalho para bateristas de bossa nova no Brasil e, quando as coisas começaram a melhorar nesta década, já o encontraram com a saúde abalada. E de forma particularmente cruel para um homem da sua profissão: um grave problema circulatório fazia com que, desde pelo menos 1992, ele estivesse ameaçado de ter uma perna amputada. Um show em seu benefício chegou a ser feito no Rio, naquela época. Banana tratou-se e conseguiu adiar a operação. Voltou a trabalhar esporadicamente e ainda cumpriu um fim de semana com um trio no novo Beco das Garrafas, em Copacabana. Mas, em pouco tempo, a cirurgia ficou inevitável. Banana perdeu uma perna em abril de 1999 e, um mês depois, morreu de enfarte.
Em seu velório, no Cemitério São João Batista (RJ), chamava a atenção dos amigos presentes uma coroa de flores com os dizeres "A Milton, a quem o Brasil não homenageou nem reconheceu nunca. Ass.: todos os músicos do Brasil".
Estou postando os álbuns mais significativos do homem em sua carreira solo. A obra dele com outros artistas fala por si em sua grandeza e importância. Acho que é uma boa amostra...
Batucaí, gente:
1963:

Baixaki!
1965:

1965:

Baixaki!
1966:

Baixaki!
1968:

1970:

Baixaki!
1971:
Baixaki!1976:

Baixaki!!
1977:

Baixaki!
1979:

Baixaki!!


