Música, literatura, poesia, idéias, arte, batera, percussão e porrada, se precisar!

"Como sabe que sou louca?", indagou Alice.
"Deve ser", disse o gato,
"ou não teria vindo aqui".
(Alice no País das Maravilhas)


segunda-feira, 30 de julho de 2007

Orlando Toseto Júnior


Conheci poucos caras inteligentes e completos no que tange à escrita como Orlando Toseto Júnior, meu bróder de longa data. Já disse a ele que vou arrumar-lhe uma editora, colocar uma arma em sua cabeça e obrigá-lo a escrever um livro. Abaixo, uma entrevista que ele deu prá alguém aí, e que exprime bem a capacidade do homem. Com vocês, Orlando Toseto, o homem que matou o tempo, e que ficará para sempre:




1. Que livro você está lendo?


“O vento nos salgueiros”, de Kenneth Grahame, e “Crack up”, de F. Scott Fitzgerald (póstumo e editado).

2. Lembra do seu primeiro livro?

Lembro. Você não perguntou qual foi, mas eu digo: a adaptação de Monteiro Lobato para “Peter Pan”.

3. No Brasil, sabemos que a leitura não é um hábito da população em geral. Quantos livros, em média, você lê por mês?

Discordo da afirmação: se lê pouca literatura, pouca poesia. Mas quem leva debaixo do braço um manual do Access, o Código Penal, o Metrô News ou um gibi da Mônica faz o quê com eles? Lê, ora. Não tenho média mensal de leitura.

4. Você tem um gênero favorito? Qual?

Não tenho. Leio de tudo.

5. Alguns escritores, além de grandes artistas, são vistos como “seres superiores” por alguns leitores. Você tem ídolos escritores? Quais?

Acredito que um grande escritor é sim um ser superior, sem ironia nem aspas. Nessa categoria de seres superiores, ou ídolos se quiser, boto, e aqui é tudo muito óbvio, Cervantes, Eça de Queirós, Machado de Assis, Monteiro Lobato, Lewis Carroll, Jorge Luís Borges, Proust, Flaubert, Tchékhov e mais um cento de etecéteras.

6. Você distingue o escritor pelo gênero - poesia, conto, romance, etc - ou acredita que escritor é escritor e ponto?

Varia. Há escritor que é bom em tudo, e há os que são bons numa coisa só. Drummond, por exemplo: nada do que escreveu fora da poesia presta.

7. A internet pode se transformar em uma ameaça para a leitura de livros?

Não. Mas eu tinha entendido o termo “leitura”, até aqui, como o ato lato de ler, e não como a ação estrita de “ler livros”. Não há ninguém preocupado com a ameaça que a internet talvez represente para os jornais, as revistas, as bulas de remédio, os quadros de avisos, o correio elegante?

8. Se você pudesse, como acabaria com o analfabetismo no Brasil e como implantaria o hábito de leitura?

Não sei se é possível acabar com o analfabetismo, já que ele não se resume à incapacidade de leitura e escrita: há muita gente que lê e escreve desembaraçadamente que é analfabeta incurável. José Roberto Pereira, por exemplo. Ou Marcelo Mirisola. E não “implantaria” (palavra técnica e horrorosa) hábito nenhum. Aliás, a expressão “implantar hábitos” é um oxímoro. Há no mundo uma expectativa generosa, mas injustificável, de que a leitura, por si só, seja capaz de promover maravilhas na consciência de um indivíduo. Em alguns sim, de fato; mas a maioria das pessoas lê por necessidade, para a satisfação dos quesitos “informação” e “como fazer”. Esses, cujo nome é legião, jamais desenvolverão o “hábito da leitura”, e aliás é um erro achá-los estúpidos por causa disso. O hábito surge sozinho. Lê quem quer.

9. José Saramago declarou recentemente que sempre será comunista, embora saiba que este é um assunto ultrapassado. Um escritor deve manter para sempre seus valores, ou pode mudar de opinião?

Opinião é uma coisa, valor é outra. Mudar de opinião é corriqueiro: eu já achei que o socialismo é um jeito ótimo de criar uma sociedade justa. Já mudar de valores é, creio eu, chocante e raríssimo: não conheço quem tenha abandonado a justiça em prol da injustiça, por exemplo. É portanto um erro a gente achar que a defesa saramaguenta do comunismo seja apego a um valor. É apego a um sistema de idéias que (acredita ele), se aplicado, promove ou “implanta” os valores que ele defende. Uma das coisas mais duras de aprender, e que na verdade nunca se aprende direito, é como compreender quando nossas idéias contrariam nossos valores, e mudá-las. Também existe, evidentemente, quem não tem valor nenhum, apenas opiniões; esses mudam tudo, fazem o que querem e dormem como anjos. Contam-se aos bilhões.

10. Uma frase para o Dia do Escritor:

Que grande bobagem é haver um “dia do escritor”.





Clique aqui aqui para ver o blogue dele...




Agora, alguns textos da fera:



Kinema



Em 1972, São Paulo era para mim “a cidade”, o centro velho. Saíamos a pé da Maria Marcolina, no Brás, aos domingos, cerca de oito e meia da manhã. Íamos a pé. Kinema. Subíamos a Rangel Pestana, passando pelas porteiras, e logo à esquerda havia o Cine Piratininga, “a maior sala do Brasil” (hoje é um estacionamento). Antes, no Largo da Concórdia, à nossa direita ficava o Teatro Colombo, no mesmo lugar em que hoje se ergue a Caixa Econômica; e a uma quadra, na Firmino Whitaker, esquina com Saião Lobato, o cine-teatro Oberdan (onde Bill Halley e seus cometas tocaram numa tarde de sábado, nos anos 50, e a platéia ainda achou forças para quebrar umas cadeiras, e que hoje é loja da Zelo).



Se a gente descesse a Celso Garcia no sentido do Belenzinho, teríamos a cinelândia do Brás diante de nós. Em frente à Pirani (falida em 1972 – em 1989 ainda havia, pendurado numa parede, um anúncio de “baralhos a Cr$ 3,00”) havia o Fontana, quatro salas com a melhor programação (hoje um pedaço é igreja, outro é shopping de outlets com barbearias e outras besteiras). Na mesma calçada da Pirani, quase esquina com a Bresser, havia o Cine Universo, onde vi com a minha mãe, num sábado aterrorizante, “Marcelino Pão e Vinho”, e depois o primeiro Super-Homem. Mas antes do Universo, na esquina da Carlos Botelho com a Costa Valente, havia o cine-teatro onde era gravado “Astros do Ringue”, cujo nome eu nunca soube, e do qual resta, além de um suntuoso balcão externo, uma lira estilizada no telhado. É um belo posto de gasolina.




Passando a Bresser, e do outro lado da avenida, estava o Cine Roxy. Hoje é a sede da Universal, que aproveitou e arrasou todo o lado esquerdo do quarteirão para fazer um estacionamento a céu aberto. E, no quarteirão seguinte, esquina com João Boemer, havia o infausto Cine Brás, que tem lugar de proeminência nas minhas futuras memórias pornográficas, e que, depois de cinema, foi casa noturna, bailão, e hoje parece ser centro de estoques de algum magazine.



Mas nós não descíamos a Celso Garcia, e sim subíamos a Rangel, pra “cidade”. Passando a Praça Clóvis, geralmente entrávamos na Roberto Simonsen onde, quase esquina com a Venceslau Brás, do ladinho mesmo do Solar da Marquesa, havia um cinema cujo nome também não lembro, e que também foi transformado em estacionamento. Dali contornávamos a Sé, e havia duas opções: Rua Direita, com o Viaduto do Chá, ou XV de Novembro, passando ao lado do Martinelli. Se o domingo fosse sem pressa, descíamos a Direita, passávamos pela Praça do Patriarca, ganhávamos o Chá, e entrávamos pela Barão de Itapetininga, onde havia o Cine Barão, na mesma galeria que abrigou a saudosa Wop Bop Discos (já não há mais nenhum dos dois). Se, porém, escolhêssemos atravessar o Anhangabaú, sobre o Buraco do Adhemar, teríamos quase de frente pra nós o Cine Cairo (em cuja passarela, no quarto centenário, vários hollywoodianos de sucesso desfilaram, e que passa hoje o trivial variado do sexo explícito) e, já na São João, quase em frente aos correios, teríamos à nossa esquerda o Cine Saci (mesma programação). Ainda não havia as salas dos cines Avenida e Las Vegas, rebentos recentes do sexo, e que hoje lá estão, exibindo o vigor possível.


Então cruzávamos pelo Largo do Payçandú (atenção: é essa mesma a grafia correta, graças a Mr. Amauri, meu primeiro chefe, e seu histérico dicionário de locações) e, esticando o pescoço, víamos à direita o suntuoso saguão aberto do Cine Paysandu (escrito erradamente, e que hoje é um bingo). À esquerda, estavam, pela ordem, o Art Palácio (sexo explícito), a saída das três salas do Olido (que ainda resiste) e, passando a Dom José de Barros, o Ritz, com seu salãozinho turco (ou de chá, com cadeirinhas de ferro – fechado e para alugar). Na Dom José, só alguns metros pra cima, havia e há o Cine Dom José (onde, numa inesquecível semana santa em 1983, havia três cartazes de filmes – à direita, “As C... de C... Que Dão O C...”; à esquerda, “Pervertidas e Depravadas”; e, no meio, a “Paixão de Cristo”).




Depois atravessávamos a Esquina do Caetano tendo à nossa esquerda, e no mesmo quarteirão, o Cine Regina, o Ipiranga com suas duas salas, o Marabá, com sua imensidão e o balcão (que hoje está fechado), e o Cine República (sexo explícito). Se a gente seguisse mais pra frente, tinha chance de ir parar no Cine Copan, em forma de anfiteatro e que hoje abriga mais uma malfadada igreja (não sem antes passar pelo Cine São Luiz, escondidinho naquela galeria que dá na Praça Dom José Gaspar - fechado). Ou, se contornássemos a Praça da República e descêssemos a Vieira de Carvalho, saíamos no Largo do Arouche, bem perto do Cine Arouche, onde, no inverno de 1990, acompanhado por um LP do Sam Cooke, vi o “Cinema Paradiso”, pensando nela e chorando (hoje, é boate de strip-tease). Mas não; nós seguíamos a São João no rumo do cine Metro e sua matinée, com Tom & Jerry e Pato Donald.

Podíamos continuar andando pela avenida e ver, mais à frente, o Cinespacial, redondo e com quatro telas (fechado), e depois o Comodoro, com sua tela de Cinerama (fechado). Mas não íamos. Ficávamos no Metro (que hoje também é igreja), sem pipoca nem refrigerante (e sem nem pensar nisso). Eu era menino de 5 anos, fitava vidrado a tela onde o gato levava pauladas estrondosas e gritava escandalosamente, sentindo a dor do bicho e esperando meu pai rir pra rir depois. Meu pai, um sisudo senhor italiano que acreditava nas ruas e ia de paletó a uma matinée dominical. Que começava por volta das dez, então era a conta certa de um homem de cinqüenta e dois anos e um menino de cinco andando uma hora e meia por avenidas e ladeiras.

Se fôssemos à avenida da Liberdade, chegaríamos ao Cine Niterói, onde passavam todas as produções japonesas que importavam (e todas as que não importavam também – virou uma espécie de dancing para orientais). Ou na R. Silva, ver o prédio neoclássico do Cine Liberdade (que é um restaurante desses de quilo, misturado com academia de judô). Mas era raro irmos lá; íamos mais ao Pari, esquina da João Teodoro com a Avenida Vauthier, onde havia o Cine Rialto (na esquina diametralmente oposta funcionou, anos depois, O Templo, boate punk da primeira hora). No Rialto vi, em 77, com o Pedro, “Guerra nas Estrelas”, e alguma coisa do Mazzaropi com minha mãe, um que tinha aquela música sertaneja que rezava assim: “Nestes versos tão singelos / minha bela, meu amor, / vou cantar para você / o meu sofrer, a minha dor / Eu sou como o sabiá / quando canta é só tristeza / Dá vontade de chorar”. Dava mesmo, e o povo chorava direitinho. De cinema o Rialto virou casa de danças do Zé Bettio, forró, e finalmente loja de pneus. Hoje não sei mais o que é.




Minha cidade é cruel. Há dúvidas de que seja mesmo uma cidade, e não prédios e ruas que brotam a esmo e estão perenemente de costas uns pros outros, esquecidos, isolados, sem relações. Ruas que não se falam, prédios que não se bicam, assassinatos anônimos. Deve ser uma besteira a gente se entristecer com a morte de um cinema, com a desaparição de uma sala escura onde apertamos um peitinho, onde roubamos um beijo de língua e depois saímos à rua, todos anchos, quase exclamando “eu também beijei uma mulher”, ou onde simplesmente ficamos de cabeças encostadas chupando balas Van Melle. Tudo muda na cidade cruel sem mais lamentações. As casas em que nascemos viram pó; as escolas se transformam em lojas, as lojas em prédios, os prédios em nada. Andamos por ruas quase escuras que na verdade não conhecemos, e que não nos conhecem.



Tudo se move na cidade cruel. Nós nos movemos. Kinema.





O PORQUE DO JOGO


O porque do jogo:


o súbito e manso silêncio,


argamassa para as frestasdo espírito.


Eu penso mudo e vasto e confuso.


Ainda respondo por meus dedos,


ainda sou obliquamente desonesto,


ainda conecto atos


num arremedo de ordem


com um fingimento de método.







SOLIDÃO


A solidão gruda nas roupas e deixa cheiro.


Gente só tem cheiro de solidão, aroma de abandono.


A mulher carrega uma bolsa de brim enorme, muito cheia.


Anda balançando por causa do peso.


Passo a seu lado e a ouço dizer:


"Minha filha... você pra mim morreu".


Que é da filha? Não está lá.


Morreu de morte decretada,


de morte sofrida na carne da mãe solitária,


que fala sozinha e que,


aposto, de hora em hora torna a matá-la.


Pra onde ela vai com aquela mala cheia?


Se andasse pelo mundo à toa,


isso não me espantava.


Ela e sua mala,


sua vida, seu sentido.


Eu muitas vezes me sinto mais perdido que ela.


Eu, como ela, me iludo.


Me descuido às vezes do tamanho de tudo,


fico surdo à voz de fora,


fico mudo pro mundo,


fico com cheiro de gente só.


Quem me vê logo diz.


Mas, a sério, quem me vê?


Todo mundo só vê o próprio nariz.





DESPERTAR


Meus dias começam todos do mesmo jeito.


Abro os olhos, ouço o chuveiro,


lá embaixo na rua é o portão que abre e fecha,


e saltos de homens e mulheres


em periódicos clique-cliques na calçada.


Abrir os olhos: operação delicada.


Começo suspirando, termino morrendo,


abro-os por fim ao horror opulento das muitas horas de luz.


Muitas horas de luz!


De que mundo estou falando?


O último sonho ainda me ofusca.


Do chuveiro não vem canto.


É como se chovesse numa rua vazia,


num mundo sem idade nem ninguém.


Como se o cano chorasse sobre os ladrilhos


a ida da última alma.


E que é dos canos sem almas?


Jazo acordado, atento, astuto, ainda semimorto.


O dia me viola. A hora me estupra.


Engravido de atos que vou despejar mais adiante


com todas as dores de Eva, com os peitos de Eva,


sem alento de serpente,


sem maçã.


Meu dia vem perfumado.


Bolhas descem-me à consciência,


afogado no mínimo necessário.


Economicamente afogado.


Bóio naquele minuto.


Flutuo no mundo que começa


sem Deus que o evite, sem marcha à ré no sol.


Meu cérebro é macio.


Ainda estupefato - meu sangue corre!


Águas em mim se movem, bichos vivem, cheiro mal! - ouço passos.


Tudo me impressiona,


daqui não se ouvem pássaros.


Pode um milagre ser estúpido?


Se pode, sou.


Passos vêm, já não me engano,


o dia ininterrupto se ergue com fome,


sou demanda de seu bucho para atos solenes


que não me interessam.


Sento-me sobre a cama.


Por que é que não fumo?


A meu lado um vazio de horas,


um frio de quem


há muito se foi.


Sinto entre gelos desiguais uma forma


que não é a minha.


Desperto de vez.


Em breve levanto.


Todo dia era dia de pranto, fosse a gente chorar à toa.


Era o que faltava.

14 comentários:

Neide disse...

Nossa Yan, por tantos motivos como amei esta matéria e estes versos...posso copiar e colar no Portfolio depois? Vou adicionar algumas gravuras surreais para acompanhar, eu amo fazer isto sabe, juntar pintura e poesia.
Você deixa? Diz que sim, diz que sim!! rss
Outro assunto, o lance da caixinha é o seguinte, eles passam aquele código, depois eu colo aonde? Digo, quando a gente vai para aquele ícone "Modelo" do blog, existe uma opção lá em Java, me parece, e outra editar Html...mas esta segunda muda toda a página é isso? Ainda estou aprendendo estas linguagens de informática, desculpe pela ignorância.

Beijos, amei esta matéria!

Yan Kaô disse...

Neide, aqui você manda, desmanda, grita, chora, quebra e faz o que quiser no meu blogue. Só não vale lamber meu pudim. O meu caríssimo parceiro o Tio Nando DEVE ser divulgado, que ele é sensacional mesmo!! Tenho outras coisas dele aqui muito mais legais e que só não coloquei porque preciso consultá-lo e outras não achei mesmo. Quanto ao bloquinho, você coloca em "Modelo" e no quadradinho HTML/JAVA, sim. Ali ele não desconfigura a página principal não. Queijos!!

Neide disse...

Sabe, com este lance que você disse de lamber o pudim (no qual admito que boiei...rss) você me lembrou um filme italino, se não me engano, chamado A comilança, no qual um grupo de amigos combina em comer até a morte...você já assistiu? É o tipo do filme que perturba bastante, daqueles que ficam na nossa cabeça um tempão...é lógico que tem momentos que a gente ri até cair no chão, mas outros são bem perturbadores, como a professora de primário que aparece com uma carinha angelical e acaba agindo como uma espécie de anjo da morte...Recomendo.

Beijos.

P.S. Obrigada por todas as dicas e por sua generosidade.

Neide disse...

Esqueci de te perguntar, qual daqueles e-mails é o que você prefere para, de repente, trocar alguns arquivos?

Yan Kaô disse...

Sei lá, eu tenho o yankao@bol.com.br, mas o bol é uma bolsta... tem o do acervo dos discos de umbanda o ayom77@gmail.com, que acho que funciona melhor... quanto ao pudim, é que eu amo pudim, o único doce que gosto, mas sou proibido de comê-lo. Minha frase foi uma bobagem, como quase tudo que digo. Porra, queria ver esse filme, Neide!!! como arrumo? e aí, deu certo o bloquinho?

Neide disse...

Oi Yan,

bem, no caso do filme eu comprei pelo site da Submarino, senão me engano...posso até tentar achar algum link pra você, só não posso garantir se vai ser a versão legendada (admito que ainda não sou muito boa pra achar filmes, tenho mais sorte com os discos, mesmo).
No caso do bloquinho, estou indecisa com a cor, não sei se coloco rosinha, pretinho ou verdinho...o que você acha?

Beijos

neide disse...

Como eu não tenho certeza se o meu último comentário foi salvo, pois eu estava meio corrida e posso até ter esquecido, vou dizer de novo. O filme eu achei na época pelo site da Submarino, mas vou tentar achar algum link pra você, tudo bem? Em último caso, se você não conseguir de jeito nenhum mas quiser muito, há uma outra opção que posso te sugerir por e-mail.

Abraços

Yan Kaô disse...

Olha, a cor do bloquinho, seja verdinho,rosinha ou azulzinho, seu disser qualquer coisa, vão me chamar de baitola, ximbungo, ou coisa que o valha. Sugiro o preto e vermelho, cor de exu macho!!

Yan Kaô disse...

agora, manda o linque prá mim. Mas diz o nome do filme que vejo no submarino amarelo, aquele trôço boiante.

neide disse...

Hahahahahahahahahaha...eu falei desse jeito sobre as cores pra te encher o saco...hahahahahaha
Depois eu coloco qualquer uma lá, mas preto e vermelho também acho que ia ficar dez, amo essa combinação, aliás amo vermelho.
Olha, o nome do filme é A Comilança.
Segue o link:
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=130549&PAC_ID=6297 (não achei mais na Submarino, tem uns 5 anos que comprei).
Nossa esse filme é bem surreal, louco, ácido, é maravilhoso. O pessoal transa e come, transa e come até não aguentar mais, o ambiente do filme é cáustico e pesado. Como eu já te disse antes, também tem cenas em que você rola de rir...Nossa, o que tem de filmes europeus obscuros interessantes dos anos 70, se você quiser aos poucos posso ir te sugerindo.As cenas não são assim, completamente explícitas, mas você nem nota, de tanto que a história te prende. Aliás, algumas histórias ficam melhor insinuadas, você não acha?

Boa sorte na busca!

neide disse...

Dê uma olhadinha aqui também:

http://www.opensubtitles.org/pb/subtitles/3130683/grande-bouffe-la-pb

Yan Kaô disse...

Bem eu acho que insinuação e sensualidade são requisitos básicos para despertar considerações muito mais inconscientes que exatamente explícitas (!) nas reações do imaginário de cada um. Exagerar nisso, para mim as vezes é muito mais um erro do que um acerto, quando a questão é o cinema. Porque? Porque cinema mexe muito mais com os aforismos do que é questionável em cada um de nós do que qualquer outra possibilidade operante na mídia. É o mesmo que acontece quando confundimos - e quase sempre isso acontece - mensagem com julgamento. Mensagem entra, desperta, se fixa e é devolvida com mais informação. É o que nos torna socialmente suportáveis. Beira a linguagem profunda e ancestre. Imagens, parábolas, símbolos, tudo isso mexe com a gente. Já o julgamento é produzido com a indução sem ética de uma informação direcionada, castradora, severa em sua atitude imperialista de impor fatores novos à mente e ao espírito sem considerar muito do material em que o edifício de nossa personalidade se alicerça. Há cineastas que pensavam na importância dessas coisas, como Kurosawa, Hitchcoc, Felinni. Hoje é tudo um tanto quanto projetado para o bem estar meramente sensorial e acho que nisso, perde-se um pouco de tudo que tem de bom no cinema, o que já uma grande fatia de sua inteligência.

Yan Kaô disse...

Nossa, preciso colocar outro post aqui!! Tá muito cheio!!

neide disse...

Por falar no Kurosawa sabe, estou atrás há um bom tempo de um link para um disco chamado "Kurosawa: Film music of Akira Kurosawa". Por favor, caso você encontre por aí me dê um toque. Os links que eu achei pra ele já foram deletados. Amo aquela sequência do Sonhos em que ele entra nos quadros do Van Gogh, e o final também, na qual as pessos cantam e dançam no funeral, ao invés de se lamentarem...e é claro, aquela sequência lindíssima do menininho entre os espíritos das árvores...ele fez tantos filmes, no entanto conheço tão poucos...mas espero, com o tempo, remediar isso.Eu estou com idéias para montar um post sobre ele há um bom tempo, estou aguardando encontrar mais material para acrescentar. Sobre o Hitchcock com certeza será possível, pois já tenho um material razoável sobre ele. E o Fellini (dele eu tenho alguns filmes, como o 8 e 1/2, Noites de Cabíria (há uma sequência maravilhosa nesse filme, na qual as prostitutas se juntam para ir à procissão, à espera que suas vidas melhorem com algum milagre, e quando amanhece o dia Cabíria/Masina diz: "Não mudou nada! Continuamos exatamente os mesmos!" Se não me engano estas partes da procissão foram censuradas na Itália à época em que o filme foi lançado. Há uma outra também que me marcou muito, quando ela observa a procissão passando, e por um momento é como se ela fosse tomada por uma espécie de torpor...logo, um caminhão pára buzinando ao seu lado, como a chamar para sua amarga realidade. A forma como essas cenas são intercaladas geram uma angústia tão grande pela personagem, que muitas vezes você chora com ela, talvez por muitas coisas ali nos reportarem ao que já passamos em termos de desilusão com o ser humano na vida, não sei, comigo foi assim, cada um tem uma visão e experiência diferentes com cada filme... O Amarcord por incrível que pareça não vi até hoje. Ah, estou pensando em acrescentar algumas trilhas do Nino Rota (possuo em vinil, vou ter que achar um jeito para converter pois não tenho o equipamento), e os quadrinhos do Manara (que o desenhou várias vezes e possuo aqui nos arquivos também)...acho que vai ficar interessante, vou unir as trilhas, com os quadrinhos com imagens do filme. Ah sim, tem alguém por quem sou apaixonada pelo seu trabalho, uma pessoa que fez seus filmes com pouquíssimos recursos, no entanto a força do impacto que os filmes dele produziram sobre mim foi enorme, é um diretor chamado Luis Buñuel. Em homenagem a ele, há uma imagem no canto do Portfolio, não sei se voc~e notou, está escrito Ecos do Inconsciente logo acima. Ali é o seguinte, em vários filmes dele, como o Nazarin, por exemplo,a Idade do Ouro, enão me engano, a gente nota o som de tambores incessantes em determindas partes. Ele disse que da região que ele veio, Calanda, havia um dia para comemorações no qual as pessoas saíam às ruas e tocavam, tocavam e tocavam até suas mãos sangrarem, até os pensamentos desaparecerem, até se fundirem com os sons numa espécie de transe das partículas (ele não falou com essas palavras, esta foi a forma como entendi) Era um lugar extremamente miserável, era como se por alguns instantes as pessos sentissem o sabor da liberdade em relação à sua duríssima realidade, com os tambores de Calanda...
Puxa, eu podia falar tanto ainda...é melhor parar. Estou gostando muito de poder trocarmos sugestões, obrigada!

Abraços, desculpe se falo demais, é que amo tanto tanto este assunto...